quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Morador de Rua

Perguntaram-me um dia se eu era usuário de drogas, evangélico ou algum tipo de religioso. A pergunta partiu de um morador de rua, eu imagino que seja um usuário de droga, desses viciados que perderam a esperança na vida. Toda vez que ele esta tranquilo na rua, quando passa o efeito dos alucinógenos que usa, ele procura por alimento. Sempre que posso lhe ofereço algo, sua preferência são os sucos de laranja.

 Confesso que fiquei surpreso com sua pergunta. Porque será que ele tem esse conceito? No mesmo momento alguns segundos de digerir a pergunta, eu retruquei. “Porque você acha isso?”, sua resposta foi quase que instantânea “por que para ajudar pessoas como eu, têm que ser das duas uma”.

 Passei o dia pensativo, como assim “das duas uma”, cheguei a comentar o fato com alguns dos meus colegas de trabalho, eles não deram muita importância ao assunto, tinham suas pautas para encerrar. No final da tarde quase encerrando meu expediente, um momento de epifania, a resposta se tornou clara. Em uma sociedade doente como a que vivemos uma pessoa só é generosa com alguém quando ela passa, passou ou já chegou próximo da situação da pessoa que esta ajudando. Bom, essa é uma explicação que me pareceu muito plausível.

 Mas eu nunca cheguei perto de uma situação parecida com a dele, somente faço a minha parte como ser humano que se importa com o seu semelhante, sempre que é possível. Ele não será a primeira pessoa a me perguntar isso, continuo ajudando ele toda vez que ele me pede e que é possível, não somente ele mais a qualquer um. Não sou melhor ou pior que ninguém por causa disso, mas quando isso me é possível me encho de um sentimento que não sei definir.

Um comentário:

Tami (: disse...

É, man. E ainda fico espantada quando pessoas se surpreendem, por exemplo, de ver ateus ajudando outras pessoas. Como se religião formasse caráter de alguém...

Mas eu discordo de você, com muito pesar, sobre o que você disse sobre "ser humano que ajuda seu semelhante": atualmente, sinto dizer, que NÃO ajudar seu semelhante é sim, totalmente humano.